Às vésperas do Outubro Rosa, Fortaleza pode perder serviço de mastologia do Gonzaguinha de Messejana

Às vésperas do Outubro Rosa, Fortaleza pode perder serviço de mastologia do Gonzaguinha de Messejana

Às vésperas do Outubro Rosa, movimento que nasceu na década de 1990 com o objetivo de estimular a participação da população no controle do câncer de mama, os médicos mastologistas de Fortaleza denunciam, ao Sindicato dos Médicos do Ceará, o fechamento do serviço de mastologia do Hospital Distrital Gonzaga Mota (Gonzaguinha) de Messejana.

De acordo com a denúncia, apesar de atender à população de 29 bairros – na Regional VI, que corresponde a 42% do território da Capital –, estimada em 600 mil habitantes, o serviço será transferido para o Hospital e Maternidade Zilda Arns (Hospital da Mulher), localizado no bairro Jóquei Clube (Regional III), gerando uma centralização dos atendimentos.

A iniciativa, segundo o vice-presidente do Sindicato e mastologista, Dr. Antônio Fernando Melo Filho, está na contramão de princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), como a universalização e a hierarquização do atendimento mediante a complexidade das doenças. “A ausência de um serviço de atendimento secundário em uma cidade do porte de Fortaleza, com população estimada em mais de 2,5 milhões de habitantes não é uma política de saúde recomendável, principalmente em um Estado – como é o caso do Ceará –, que apresenta a segunda pior cobertura mamográfica do Nordeste, segundo estudo recente”, ressalta o médico.

Ainda de acordo com o especialista, o serviço de mastologia do Gonzaguinha de Messejana funciona há 21 anos, realizando cerca de 9.500 atendimentos anualmente. “Muitas mulheres assintomáticas realizam consultas anuais há longa data, com realização de exame físico e mamografia de rastreamento, seguindo rotina recomendada pela Sociedade Brasileira de Mastologia, e, quando necessário, ultrassonografia mamária e biópsias dirigidas são referendadas segundo as mesmas orientações. Quando diagnosticadas patologias benignas, estas pacientes recebem tratamento adequado na própria unidade, enquanto que aquelas com neoplasia maligna são encaminhadas a hospitais terciários, cumprindo o papel de rede hierarquizada e descentralizada no tratamento do câncer de mama, assegurando, em última análise, o tratamento pleno e reabilitação destas mulheres. Como o serviço tem mastologistas lotados em hospitais terciários, estes casos têm acesso garantido no prazo adequado. A extinção deste serviço levará à quebra desta cadeia e consequente prejuízo à população”, destaca o Dr. Antônio Fernando Melo Filho.

Sobre o Câncer de Mama

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, representando um dos principais motivos de preocupação da saúde feminina na idade adulta e tornando-se um grande problema de saúde pública. Estatísticas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e do Ministério da Saúde, no que se refere ao Ceará e Fortaleza estimam, respectivamente, 2.160 e 870 novos casos de câncer de mama em 2017.

“A detecção precoce dessa patologia é fundamental para a cura da doença, assim como para a diminuição de custos com tratamento e manutenção da força de trabalho. Isto sem falar no impacto no ambiente familiar, que inclui sexualidade, fertilidade, criação dos filhos, educação e carreira”, complementa o Dr. Antônio Fernando Melo Filho.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Sindicato dos Médicos do Ceará

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